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Alguns princípios do hipertexto

Postado por Carla Façanha On 14:42:00

Dentro desse universo de significações que é o pensamento humano, tenho a audácia de classificá-lo como um imenso hipertexto, onde cada um em sua escala, receptor, produtor e objeto, constroem e remodelam universos de sentidos, e que Lévy classifica como “mundos de significações”. De acordo Lévy (1997, p. 25 e 26), o hipertexto possui alguns princípios abstratos: o primeiro deles é o princípio da Metamorfose, onde “a rede hipertextual está em constante construção e renegociação”. O segundo é o princípio da Heterogeneidade, em que “os nós e as conexões de uma rede hipertextual são heterogêneos. Na memória são encontrados imagens, sons, palavras, diversas sensações, modelos, etc.; e as conexões serão lógicas, afetivas, etc.” Há o princípio de Multiplicidade e de Encaixe das escalas, onde “o hipertexto se organiza em um modo ‘fractal’, ou seja, qualquer nó ou conexão, quando analisado, pode revelar-se como sendo composto por toda uma rede”. O quarto é o princípio da Exterioridade, “a rede não possui unidade orgânica, nem motor interno. Seu crescimento e sua diminuição, sua composição e sua recomposição permanente dependem de um exterior indeterminado: audição de novos elementos, conexões com as outras redes, excitação de elementos terminais (captadores)”. O quinto, o princípio de Topologia, consiste em que “tudo nos hipertextos funciona por proximidade e por vizinhança”; e por fim o princípio de Mobilidade dos centros, “a rede não tem centro, ou melhor, possui permanentemente diversos centros que são como pontas luminosas perpetuamente móveis”.
Esses princípios traduzem a idéia de hipertexto  em que pode ser percebido além de um texto escrito ou digitalizado, ou as interconexões da Internet e multimídia, observamos algo mais profundo, onde tudo se inicia em nossa cognição e a partir dessa segue-se extensões que se materializam em livros, textos, discursos, etc.
A idéia de hipertexto foi enunciada pela primeira vez por Vanevar Bush em 1945, através de um artigo intitulado “As we may think”. Bush era um matemático e físico renomado que havia concebido, nos anos trinta, uma calculadora analógica ultra-rápida e que tinha desempenhado um importante papel para o financiamento do ENIAC, a primeira calculadora eletrônica digital. Bush achava os sistemas de indexação e organização de informações, eram artificiais, pois a ordenação era puramente hierárquica, e na sua concepção
 a mente humana não funciona desta forma, mas sim através de associações. Ela pula de uma representação para a outra ao longo de uma rede intricada, desenha trilhas que se birfucam, tece uma trama infinitamente mais complicada do que os bancos de dados de hoje ou os sistemas de informação de fichas perfuradas existentes em 1945. (BUSH, 1945. apud LÉVY, 1997).

O autor reconhece que não seria possível duplicar o “processo reticular que embasa o exercício da inteligência”, mas propõe que apenas nos inspiremos nele. Ou seja, Bush um dispositivo que parecesse com a mente humana, no que diz respeito ao que ocorre na cognição, nos processos de interações, negociações, etc. como já abordamos anteriormente.
O que queremos dizer com tudo isso, é que o homem tenta materializar a forma como a mente humana trabalha. Com isso, surgem os imensos hipertextos, em programas de computador e internet, tornando a leitura seja de um texto escrito tradicionalmente ou um texto de multimídia, um espaço em que a cognição possa trabalhar livremente. Vejamos agora um exemplo da Bairon de um espaço multimidiático (hipertexto) e depois comparemos com os processos de cognição:
 O texto é colorido e as letras, eterna surpresa; a imagem por ser surpreendente e a surpresa opcional; o som aparece ou não e, ao cansarmos de escutar, olhamos, cansando de olhar, lemos; cansando de ler, dialogamos com hindus ou chineses, e no velho estilo, cansando de tudo, desligamos. (BAIRON, 1995, p.69).

Quero abrir uma ressalva e, “bater palmas”, para as palavras de Bairon no texto anteriormente citado, uma verdadeira “poesia tecnológica” e que se funde com o que acontece em nossa cognição, onde constantemente associamos textos, autores, discursos, imagens, cheiros, sons, gostos, etc. seguimos em frente e em certo ponto voltamos a um lugar  que irá nos remeter a um outro, e assim se move esse gigantesco hipertexto que é a  cognição.




BAIRON, Sergio. Multimídia. São Paulo: Global, 1995.

LÉVY, Pierre. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: Ed. 34, 1997.

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    Fortaleza/ Juazeiro do Norte, Ceará, Brazil
    Professora em Juazeiro do Norte pela UFC Campos Cariri e apaixonada pelas boas coisas da vida: Deus, família, meu esposo, amigos, biblioteconomia... Mestranda em CI pela UFPB com o tema de pesquisa intitulado "Uma proposta de categorização dos ex-votos do Casarão: o museus do Padre Cícero em Juazeiro do Norte". Atuo na área de Recursos e Serviços de Informação. Outros nteresses de pesquisa: memória e representação da informação.