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Ranganathan continua em cena: recensão

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Google volta a defender acordo para digitalização de livros

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O Filme Central do Brasil: um olhar diferente

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A fusão entre o silêncio e o contraste da modernidade

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Reflexões de Milanesi em seu blog

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A primeira vez em que a academia brasileira se aproximou dos afro-brasileiros, vendo-os como um grupo de reivindicação coletiva, foi no Projeto UNESCO, na década de cinqüenta (nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia). Ali, os pesquisadores puderam constatar a ocorrência de discriminações raciais, no Brasil. Paralelamente, um dos aspectos mais expressivos da mudança no padrão das relações raciais – no presente - é a existência de numerosas iniciativas que se propõem a contribuir para a melhoria das condições de vida das populações afro brasileiras. Nesse sentido, a proposta do Curso de Extensão Iniciativas Negras - Trocando Experiências é procurar estimular a reflexão crítica sobre diversas experiências que visem combater a discriminação racial, os racismos e as discriminações correlatas. O curso é inteiramente gratuito e aberto a todos os interessados.

O II Curso de Extensão Iniciativas Negras - Trocando Experiências dá seqüência a um curso – de quinze dias - de formação e capacitação realizado entre 2000 e 2004, no âmbito do Centro de Estudos Afro - Brasileiros (CEAB) da Universidade Candido Mendes (RJ). Este evento – que  época chamava-se Fórum Iniciativas Negras Trocando Experiências - tem procurado incentivar uma maior sinergia entre acadêmicos e ativistas. Buscávamos inseri-los nas novas formulações teóricas e técnico- administrativas aliadas à recuperação de tradicionais  práticas culturais. Diante da demanda crescente decidimos, naquela conjuntura, organizar a edição do RJ apenas bianualmente. Nos anos de intervalo (2003), realizamos Cursos Regionais – (com duração de três dias, cada) em  Piracicaba – SP,  Belo Horizonte – MG, Porto Alegre – RS e Macapá - AP.
No âmbito da UFC Cariri, partir de 2007, esta atividade passou a intitular-se Curso de Extensão Iniciativas Negras Trocando Experiências. Nosso intento, ao transformá-lo numa atividade de extensão foi de atingir uma maior abrangência regional, bem como contribuir com uma aproximação maior entre a universidade e a comunidade em geral. Ao adaptá-lo às características desta nova realidade este foi realizado com a duração de dez dias consecutivos – 26 de junho a 05 de julho- perfazendo um total de 80 horas que foram cobertas com palestras, mini -cursos, visitas culturais, oficinas, leituras, discussão de textos teóricos  e mesas redondas.
 
Em sua II edição na UFC/Cariri, em 2009 (tal qual em 2007) o curso abrigará diversas abordagens teóricas e metodológicas sobre ação afirmativa, gênero, saúde, educação, políticas públicas, redação de projetos científicos, elaboração de orçamentos, captação de recursos, comunidades quilombolas, movimentos sociais, subalternidades, direitos humanos e História e Cultura Afro-Brasileiras.
Nosso intuito no curso de Extensão Iniciativas Negras Trocando Experiências é que se torne um veículo capaz de ampliar informações, discussões e reflexões no campo da integração social, procurando estabelecer um diálogo para além dos limites geográficos das capitais e de algumas grandes cidades do território nacional, com enfoque, no Estado do Ceará. Buscamos o intercâmbio a divulgação e a difusão do conhecimento e da produção científica, no combate ao racismo e ao sexismo. Neste sentido, a metodologia empregada é de organização de painéis, de condução de oficinas, grupos de estudos, mesas redondas, visitas de intercâmbio a projetos comunitários e turismo histórico e cultural. Todos estas atividades são ministradas e coordenadas por pesquisadores de reconhecida competência e por ativistas com larga experiência nos referidos movimentos, como expresso no tópico deste projeto referente ao currículos dos convidados. A leitura de uma bibliografia específica será sugerida aos participantes que no decorrer das dez dias do curso, receberão livros, publicações e material didático que abordem a temática estudada.
 
Local: 
Cidade de Juazeiro do Norte :  Memorial Padre Cícero e auditório do SESC ; Cidade de  Barbalha: Cine –Teatro ( em dias diferentes)

Data e horários:
 Data de Início: 8/ 10/ 2009 Data de Término: 18/ 10/ 2009
          
Horários:
Manhã, tarde e algumas noites, durante os dez dias de realização do curso
 
Público alvo e público esperado
Seguimos, em 2009, com a mesma expectativa de público que obtivemos na edição anterior. Ou seja, cerca de 150 pessoas por dia, distribuídas nos três turnos (manhã, tarde e noite). Compreendidos entre os alunos da UFC, estudantes e professores, ativistas do movimento social e o público em geral. São conferidos certificados aos participantes com pelo menos noventa por cento de freqüência. 


 
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Incentivo à leitura!

Postado por Carla Façanha On 20:30:00 0 comentários
Ler vai muito além de decifrações de códicos, vai mais além de formas e padrões. O ato de ler e escrever é pura inspiração, por isso precisamos de um estímulo, um impulso que ultrapassa obrigações formais, regras gramaticais... ler te exige algo mais que só vc sabe, sente e possui.


Agora é com você! O que lhe estimula a ler? O que lhe move a ler, escrever, produzir...

Veja esse comercial de TV voltado para a arrecadação de fundos para compra de livros nos EUA. Simplesmente... inspirador!!!



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Ler... por Luís Fernando Veríssimo

Postado por Carla Façanha On 19:34:00 3 comentários

"Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda." (O Gigolô das palavras). Luís Fernando Veríssimo



Ler...

Ler é o melhor remédio.
Leia jornal...
Leia outdoor...
Leia letreiros da estação do trem...
Leia os preços do supermercado...
Leia alguém!
Ler é a maior comédia!
Leia etiqueta jeans...
Leia histórias em quadrinhos...
Leia a continha do bar...
Leia a bula do remédio...
Leia a  página do ano passado perdida no canto da pia enrolando chuchus...
Leia a vida!
Leia os olhos, leia as mãos. Os lábios e os desejos das pessoas...
Leia a interação que ocorre ou não entre física, geografia, informática, trabalho, miséria e chateação...
Leia as impossibilidades...
Leia ainda mais as esperanças...
Leia o que lhe der na telha...
...mas leia, e as idéias virão!



Que saber mais sobre Luís Fernando Veríssimo, sua biografia, coletânia, livros. Acesse o endereço: http://www.releituras.com/lfverissimo_bio.asp
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Pânico na Biblioteca por Eoin Colfer

Postado por Carla Façanha On 20:12:00 1 comentários



 Você já viu, ouviu ou viveu esse tipo de experiência? Postei aqui alguns trechos desse livro, aproveite, baixe o livro e leia na íntegra. É um livro infantil e possui apenas 26 páginas. Confira aqui!


"...Havia uma varanda do lado de fora da biblioteca. As paredes eram cobertas de cartazes sobre coisas como grupos de leitura e concursos de arte. Tudo muito educativo. Olhamos as figuras nos cartazes, de qualquer maneira. Qualquer coisa para adiar a entrada na biblioteca e ter que encarar dona Batata. Ficamos ali até mamãe subir a escada e bater no vidro.
Não tínhamos alternativa a não ser entrar. Era exatamente o que eu temia. Não havia nada lá a não ser livros. Livros só esperando para pular das prateleiras e me fazer de bobo. Eles pareciam me observar de seus poleiros. Eu os imaginei se cutucando.
“Olha”, diziam eles. “Mais duas crianças se divertindo muito. Vamos logo dar um fim nisso.”
A biblioteca parecia continuar para sempre. Filas e mais filas de estantes de madeira, lotadas do chão ao teto. Cada fila tinha uma escada com rodinhas nas pontas. Aquelas escadas teriam dado ótimas aventuras, mas a chance de uma criança poder se divertir de verdade ali era zero.
— O que vocês querem? — disse uma voz vinda do outro lado da biblioteca.
Meu coração se acelerou ao som daquela voz. Era como dois pedaços de metal enferrujado sendo esfregados um no outro. Prendi a respiração e olhei para a sala enorme. Uma velha estava inclinada sobre uma mesa enorme de madeira, as juntas maiores que umas bolas. O cabelo grisalho estava preso tão apertado que as sobrancelhas foram para o meio da testa. Ela parecia ao mesmo tempo surpresa e irritada. Era dona Batata, sem dúvida nenhuma.
— Eu disse, o que vocês querem? — repetiu ela, batendo na mesa com um carimbo.
Fomos até a mesa dela agarrados um no outro como dois macacos assustados. Havia uma caixa cheia de carimbos na mesa, e mais dois pendurados em seu cinto como revólveres.
Dona Batata olhou para baixo de uma altura enorme. Ela era grandona. Mais alta do que o meu pai, e mais larga do que a mamãe e minhas duas tias amarradas juntas. Os braços eram magros como de um robô e os olhos pareciam dois besouros pretos por trás dos óculos.
— A mamãe disse que temos que nos inscrever na biblioteca — eu disse.
Uma frase completa. Nada mau, nestas circunstâncias.
— Era só o que me faltava — rosnou dona Batata. — Mais dois diabinhos bagunçando minhas estantes. — Ela pegou uma caneta e dois cartões na gaveta.
— Nome?
— D-d-dona Ângela — gaguejei. Dona Batata suspirou.
— O meu nome não, palerma. O nome de vocês.
— Eduardo e Marcos Medeiros! — gritei, como um cadete do exército.
Tínhamos entregado nossos nomes e o endereço foi o seguinte. Fiquei meio preocupado com isso. Agora dona Batata sabia onde morávamos e podia nos rastrear se esquecêssemos de devolver um livro.
A bibliotecária preencheu os cartões, carimbando-os depois com o timbre da biblioteca.
— Cartões rosa — disse ela, entregando-os a nós. — Rosa significa infantil. Rosa significa que vocês ficam na seção infantil da biblioteca.
Marquinhos percebeu que os banheiros ficavam na seção dos adultos.
— E se a gente tiver que... ir.
Dona Batata atirou o carimbo de volta na caixa, batendo a tampa.
— Pense nisso antes — disse ela. — Vá antes de chegar aqui.
Dona Batata nos levou por longos corredores de tábua corrida para a seção infantil. Usava umas pantufas felpudas que poliam as tábuas enquanto ela deslizava.
— Esta — disse ela, apontando com um dedo calombento — é a seção das crianças.
A seção era na verdade uma única estante com quatro filas de livros. No chão, diante dela, havia um pequeno pedaço de tapete puído.
— Só tirem os pés do tapete para ir embora — alertou ela. — Qualquer idéia infantil que entre na cabeça de vocês, ignorem. Fiquem no tapete, ou haverá encrenca. — Ela se curvou até quase se dobrar, fazendo com que os seus olhos de besouro ficassem no mesmo nível dos meus. — Está claro?
Concordei com a cabeça. Estava claro. Sem dúvida nenhuma..." 

___________________________________________________


"...Então um dia aconteceu uma coisa estranha. Eu estava fingindo ler um livro chamado Finn McCool, o gigante da Irlanda, quando alguma coisa me pegou. Era a primeira frase da história.
Finn McCool, dizia, era o maior gigante da Irlanda.
Havia alguma coisa naquela frase. Era... interessante. Decidi ler um pouco mais. Eu não ia ler o livro todo, de jeito nenhum. Mas talvez só mais algumas frases.
Finn tinha um problema, dizia o livro. Angus MacTavish, o maior gigante da Escócia, queria brigar com ele.
Bom, agora eu não conseguia parar. Dois gigantes brigando! Talvez eu tivesse entendido como isso ia acabar. E aí li até o fim da página e continuei lendo direto. Antes que me desse conta, eu estava perdido na história de Finn McCool e Angus MacTavish. Tinha aventura, magia, batalhas e planos espertos. Montanhas explodiam e magos viravam duendes. Cabras mágicas falavam e princesas se transformavam em cisnes. Era outro mundo.
— Pronto para ir? — disse uma voz.
Olhei para cima. Era a mamãe.
— O que está fazendo aqui? — perguntei.
Havia sacolas de compras nas mãos da mamãe.
— O que acha que estou fazendo aqui? Está na hora de ir.
Abracei o livro no meu peito.
— Mas a gente acabou de chegar. São só...
Parei de falar quando vi o relógio da parede. Eram cinco da tarde. Eu estava lendo um livro há quase duas horas. Olhei para Marquinhos. Ele ainda estava lendo! Um livro com uma imagem de um dragão na capa. O que estava acontecendo aqui?
— Agora vamos, seu pai vai ficar esperando.
Para meu completo assombro, eu percebi que não queria deixar meu livro para trás. E Marquinhos também não..."
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Ranganathan continua em cena: recensão

Postado por Carla Façanha On 18:05:00 1 comentários


Bisbliotando só um pouco mais encontrei essa recensão, por sinal, maravilhosa, de autoria de Maria das Graças Targino, da Universidade Federal do Piauí. Ela traz questões diferenciais, no que tange as cinco leis e a sua modernidade. E ao final você encontra o sumário desta obra imperdível, e que você pode adquiri-lo por apenas 49,00 reais pela Briquet Lemos.


RANGANATHAN CONTINUA EM CENA



"Década de 60. Graduação em biblioteconomia, Universidade Federal de Pernambuco. Como muitos outros estudantes de graduação, à época, tive contato com as denominadas “cinco leis da biblioteconomia”, estabelecidas em 1928, e publicadas, pela primeira vez, ainda em 1931, pelo indiano Shiyali Ramamrita Ranganathan, sob o título Five laws of library science. Nascido em Shiyali, no estado de Madras (hoje, Tamil Nadu), em 1892, e falecido em 1972, em Bangalore, Ranganathan se imortalizou por sua dedicação à matemática (sua formação inicial) e à biblioteconomia, na condição de primeiro bibliotecário da universidade de Madras, com formação complementar na Grã-Bretanha. Sua vasta produção intelectual inclui centenas de artigos sobre a história da matemática e mais de 50 livros, voltados, também, para a teoria da classificação bibliográfica, a exemplo de Elements of library classification (1945); Classification and international documentation (1948) e Classification and communication, de 1951. Sua dedicação justifica ser ele conhecido como o Pai da Biblioteconomia na Índia.
Transcorridos mais de 40 anos, agora, são meus alunos de graduação que conhecem e reconhecem a relevância dos cinco preceitos. Estes vencem o tempo. Persistem como essenciais até os dias de hoje para quem consegue visualizar, na biblioteconomia, chance inigualável de exercer a cidadania e lutar pelo acesso universal, oportunizando a todos informações compatíveis às suas demandas informacionais e, portanto, lhes favorecendo a chance de exercitar direitos e deveres. Porém, numa época em que as discussões em torno das tecnologias de informação e de comunicação (TIC) prevalecem em quaisquer eventos da área, com a inserção de tópicos, como: arquitetura para sistemas de biblioteca digital, copy left, preservação digital, acesso aberto, repositórios digitais, webometria, formato RSS [Really Simple Syndication] para disseminação de informações em revistas eletrônicas etc.etc., os mais desavisados podem, diante das leis de Ranganathan, torcer o nariz e disfarçar sorriso zombeteiro:

1.    Os livros são para usar.
2.    A cada leitor seu livro.
3.    A cada livro seu leitor.
4.    Poupe o tempo do leitor.
5.    A biblioteca é um organismo em crescimento.

Ora, por detrás de aparente ingenuidade, os enunciados propagados por Ranganathan são, em sua essência, os precursores de quaisquer movimentos liderados por profissionais bibliotecários hoje ditos da linha de frente. Aliás, reitero que a extrema simplicidade faz a grandeza dos empresários bem-sucedidos da contemporaneidade, à semelhança do norte-americano Steven Paul Jobs, cofundador das empresas de informática Apple Inc., da NeXT e do estúdio Pixar, e criador do revolucionário ipod, cujas declarações públicas estão sempre impregnadas da certeza de que “[...] menos é sempre mais”, e, mais enfaticamente, “simplicidade equivale à inteligência e complexidade, à confusão mental”.
E mais, à época, a tônica dos serviços de biblioteca é a preservação e não a utilização das coleções. É Ranganathan que, em 1931, conforme versão de seu livro, ora lançado em português, 2009, sob o título As cinco leis da biblioteconomia e responsabilidade editorial de Briquet de Lemos / Livros, ao longo de suas 336 páginas traduzidas pelo professor da Universidade de Brasília, Tarcisio Zandonade, chama a atenção de governantes, bibliotecários e população em geral para as potencialidades da biblioteca como instituição social. Biblioteca como órgão capaz de romper as muralhas da exclusão, deixando sua condição de “depósito morto de livros” (p. 23) para se transformar em centro de cultura, a exemplo do que a primeira lei (Os livros são para usar) argumenta diante de seus interlocutores Regra do menor espaço e Regra do menor custo, que custam a entender as reivindicações da Primeira lei, no sentido de tornar a biblioteca um lugar aprazível e aconchegante, alterando a forma de armazenar as coleções, a própria localização da biblioteca, seu horário de funcionamento, seu mobiliário e, como inevitável, o perfil do elemento humano responsável pelo encaminhamento dos serviços.
Isto porque, ao longo da obra em pauta, Ranganathan opta por interessante estratégia. No decorrer dos capítulos, sobretudo, no caso daqueles que tratam mais especificamente das leis, o autor recorre a diálogos fictícios entre os elementos que perfazem a infraestrutura das instituições. Também lança mão de exemplos diversificados bastante ilustrativos e da análise da realidade do Oriente e do Ocidente, com ênfase, respectivamente, na Índia, e nos Estados Unidos da América e na Grã-Bretanha.
Enquanto a primeira prescrição substitui o perverso conceito de que os livros existem para serem preservados por uma concepção de biblioteca viva e dinâmica, a segunda – A cada leitor seu livro – enfatiza a multiplicidade de usuários a que a instituição pode atingir. O autor percorre tempos históricos e lugares para, então, apregoar o princípio de oportunidades igualitárias em relação à informação, aos livros, ao ensino e ao lazer:

'[O segundo princípio] não terá descanso enquanto não houver reunido todos – ricos e pobres, homens e mulheres, quem mora em terra firme e quem navega os mares, jovens e idosos, surdos e mudos, alfabetizados e analfabetos – a todos, de todos os cantos da Terra, até que os tenha conduzido para o templo do saber e até que lhes tenha garantido aquela salvação que emana do culto de Sarasvati, a deusa do saber" (p. 92).

Isto é, há 81 anos, Ranganathan já luta pelo sonho de bibliotecas ação-cultural. Atividades hoje enunciadas quase como novidade, tais como iniciativas extensionistas, ações de biblioterapia, leitura para analfabetos, e outras, são previstas e incentivadas por ele, numa longínqua Índia e num tempo já ido. Sob esta ótica, a segunda norma corresponde ao “sucesso arrasador de livros para todos, em sua desimpedida digvijaya ou expedição de conquistas do mundo” (p. 94), o que faz com que o indiano Shiyali R. Ranganathan vague ao redor dos diferentes continentes e nações díspares, como África do Sul, Hungria, México, Rússia, Suécia, avaliando os serviços de biblioteca (capítulo três) para, no momento seguinte, em longo capítulo de 50 páginas estudar as implicações da abrangência do enunciado – A cada leitor seu livro – em termos de Estado, entidades de classe e cidadãos.
O terceiro princípio, apesar de se aproximar do primeiro, uma vez que sua ênfase é o livro, de fato, complementa o segundo. Este busca encontrar para cada leitor o livro adequado. Agora, a proposta – A cada livro seu leitor – pretende identificar um leitor adequado para cada livro, o que corresponde à adoção de medidas variadas em consonância com cada realidade. Em outras palavras, em 1931, Ranganathan já alerta para os benefícios do acesso livre às estantes, para as imensuráveis vantagens de publicizar os serviços mantidos e, principalmente, para a necessidade imperiosa de diversificar e sistematizar as estratégias de dinamização e de uso das coleções. Até porque, se as três primeiras leis insistem para que as informações circulem intensamente incorporando um número sempre mais amplo de indivíduos, no caso da quarta prescrição, a ênfase recai na relevância de economizar tempo e energia dos leitores: Poupe o tempo do leitor. Isto resume, de forma implícita, a premência de se investir na administração e na organização de bibliotecas, de tal forma que o indivíduo não se perca no emaranhado de informações, distribuídas em suportes distintos.
É ainda Shiyali Ramamrita Ranganathan quem traz à tona a assertiva de que – A biblioteca é um organismo em crescimento. Este último preceito, como os demais, conserva um alto nível de atualização e adequação à dita sociedade da informação ou sociedade da informação ou sociedade do conhecimento ou sociedade da aprendizagem. Em pleno século XXI, em meio ao domínio de fluxo informacional contínuo e inesgotável, onde as TIC marcam presença ostensiva e irreversível, mais do que nunca, bibliotecas e bibliotecários precisam se mover em direção ao futuro. No entanto, e isto é interessante de se discutir, se, àquela época, Ranganathan visualiza a biblioteca como instituição eminentemente social, e, portanto, passível de transmutação e de assimilação de novos paradigmas, esta é a prova cabal de que o fator determinante das mudanças societais e institucionais não é necessariamente tão-somente o tempo histórico. Ora, se o pensador indiano vislumbra vida ativa para coleções e bibliotecas desde seu lendário Five laws of library science, ainda agora, século XXI, ano 2009, é possível encontrar bibliotecas de todos os níveis que se mantêm alheias às prescrições de Ranganathan: acervos distantes dos leitores; leitores diante de regulamentos proibitivos; administradores aficionados por inovações tecnológicas e indiferentes às demandas de seu público-alvo, e assim por diante.
Sob tal ótica, é sempre um risco refazer a história das bibliotecas a partir tão-somente da fase histórica em que estão inseridas. É a ação profissional e a vontade política que, sempre, determinam, o desempenho das instituições. Não importa conceituação ou categorização, se inexiste predisposição dos profissionais e dos governantes em consolidar as bibliotecas como centros de aprendizagem. Insisto, pois, que a distinção dos paradigmas – biblioteca tradicional (primazia das grandes coleções); biblioteca ação cultural (primazia dos usuários); biblioteca virtual (primazia do fluxo informacional) – soa falsa e artificial, quando nos movemos por bibliotecas, cujos livros são conservados em estantes a sete chaves. São bibliotecas de poderosas faculdades particulares de ensino superior, cujas portas estão cerradas à visitação do público ou cujo acesso somente é possível mediante autorização formal da administração superior da entidade. E estou falando somente em consulta ao acervo, deixando de lado qualquer perspectiva de serviços rotineiros, como empréstimo domiciliar, quando as proibições são mais rígidas.
Tudo isto faz de As cinco leis da biblioteconomia um livro pleno de inquietações atuais, como a riqueza contida no browsing, as mudanças sociais (e tecnológicas) ininterruptas, e, por fim, a relevância do “pessoal da biblioteca que, em última análise, constrói ou destrói a biblioteca” (p. 25) em contraposição à tendência de se alocar nas bibliotecas os mais imprestáveis:

"Numa escola [...] o mais forte e cruel dentre os funcionários foi incumbido de ser o anjo da guarda da biblioteca [...] Ele provou ser um guardião muito zeloso [...] Um aluno aplicado teve a coragem de abordá-lo para pedir um livro para uma “leitura extra” [...]

“Que é que você quer?”, trovejou [o funcionário], quase chamuscando o garoto com seus olhos vermelhos.

“O livro Peeps at many lands: Japan, senhor”, gaguejou o menino.

“Quanto você tirou no último trimestre?”

“Qua... quarenta e dois de cinquenta, senhor.”

“Vá embora e consiga os oito pontos restantes antes de pensar em ´leitura extra´, foi a enfática recomendação acompanhada do punho direito [do funcionário], que o pousou, com uma força de doer, na testa do garoto, trêmulo, que fugiu [...] para nunca, nunca mais voltar à biblioteca" (p. 29-30).

Enfim, mesmo sem desprezar os novos rumos da biblioteconomia, irreversíveis e inevitáveis e, sem dúvida, vantajosos, é impossível negar a adequação das cinco leis de Ranganathan. De uma forma ou de outra, comprovam ser A SOCIEDADE a única meta que justifica a biblioteconomia como profissão".

Fontes

RENAULT, L. V. Paradigmas e modelos: proposta de análise epistemológica para a ciência da informação. Transinformação, Campinas, v. 17, n. 2, p. 53-60, maio / ago. 2007.

TARGINO, M. das G. A biblioteca do século XXI: novos paradigmas ou meras expectativas? Informação & Sociedade, João Pessoa, 2009. (No prelo).

WEIL, M. M. TechnoStress: coping with technology @work @home @play. New York: John Wiley, 1997.



SUMÁRIO
Apresentação desta edição    xi
Prefácio de sir P.S. Sivaswamy Aiyer    xix
Introdução do  Sr. W. C. Berwick Sayers      xxi

  0    Gênese    1
01    Ingresso na profissão de bibliotecário    1
02    Primeira experiência        1
03    Tendências bibliotecárias    1
04    Método científico        2
05    Enunciado        2
06     Divulgação        3
07    Publicação        4
08    Consequências        5
  1    A Primeira Lei        7
11    Princípio fundamental    7
12    Negligência da lei        7
13    Localização da biblioteca    10
14    Horário da biblioteca        15
15    Mobiliário da biblioteca    19
16    Um diálogo        20
17    Pessoal da biblioteca    25
18    Não se enamore dos frutos    49
  2    A Segunda Lei e sua luta    50
20    Introdução  50
21    As classes e as massas  51
22     Homens e mulheres    59
23    Os moradores das cidades e os moradores do campo    67
24    O normal e o excepcional    81
25    O coral da biblioteca        86
26    A terra e o mar        87
27    O adulto e a criança        90
28    Democracia ilimitada        92
  3    A Segunda Lei e sua digvijaya     94
30    Abrangência        94
31    Américas            94
32    África do Sul        105
33    Europa oriental        108
34    Escandinávia        118
35    Europa ocidental        123
36    Oceano Pacífico        130
37    Ásia            134
38    Índia            157
  4    A Segunda Lei e suas implicações        138
40     Abrangência        138
41     Compromisso do Estado    138
42    Lei estadual de bibliotecas    152
43    Lei das bibliotecas da União    165
44    Sistema bibliotecário        173
45    Sistema de bibliotecas universitárias        176
46     Compromisso da autoridade responsável pela biblioteca    177
47    Compromisso do pessoal da biblioteca        180
48    Compromisso do leitor    184
  5     A Terceira Lei        189
50    Enunciado        189
51    Sistema de acesso livre    189
52    Arranjo nas estantes        192
53    Catálogo            194
54    Serviço de referência        197
55    Departamentos populares    198
56    Publicidade        199
57    Serviço de extensão        205
58    Seleção de livros        210
  6    A Quarta Lei                                 211
60    Introdução        211
61    Sistema ‘fechado’        212
62     Arranjo nas estantes        214
63    Sinalização do recinto das estantes            216
64    Entradas no catálogo    220
65    Bibliografia        225
66    Serviço de referência        228
67    Método de empréstimo    230
68    O tempo do pessoal        236
691     Catalogação centralizada    237
692     Localização da biblioteca    241
  7     A Quinta Lei                                 241
70    Introdução        241
71    Crescimento de tamanho    241
72    Sala do catálogo        249
73    Sistema de classificação    251
74    Leitores e empréstimo de livros    254
75    Pessoal            258
76    Evolução            261
77    Princípio vital        263
  8    O método científico, a biblioteconomia e o avanço da digvijaya         264
80     O que é ciência?        264
81    O método científico        266
82    A Segunda Lei e novos tipos de livros e de práticas    276
83    A Terceira Lei e a documentação        278
84    A Quarta Lei e as novas práticas biblioteconômicas    281
85     A Quinta Lei e suas diversas implicações        283
86    Ramos da biblioteconomia    286
87    Ensino e pesquisa        289
88    A marcha da digvijaya    303

Apêndice 1: Especificações para um módulo de estante feito de teca
Apêndice 2: Especificação para uma mesa de periódicos feita de teca

Bibliografia
Índice
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As cinco leis da Biblioteconomia

Postado por Carla Façanha On 17:15:00 0 comentários





Bisbliotando no site da Briquet Lemos encontrei por lá, quentinho, saindo do forno, o livro "As cinco leis da Biblioteconomia". Eis a pergunta que não quer calar:

"Porque, depois de tanto tempo, ainda se lê este livro? A resposta a esta pergunta é simples: porque os clássicos se leem sempre. E o que faz desta obra um clássico? Por que, decorridos quase 80 anos, este quincálogo da biblioteconomia, reiterada e teimosamente rediviva, continua atraindo leitores e releitores? Outra pergunta, por que publicar esta edição em português? O que tem ainda a nos dizer este senhor mais do que centenário, que nasceu e viveu num país tão distante do Brasil?"  Nota do site da Briquet Lemos






Editado pela primeira vez em 1931


 Saiba um pouco mais...


"Conversando com José Augusto Guimarães, dizia-me ele que precisávamos publicar, em português, os clássicos da Biblioteconomia e da Arquivologia. Não só concordei como pensei na viabilidade de tal projeto. Essa, no entanto, é uma tarefa hercúlea que poucos têm condições, competência e coragem para realizar. As editoras comerciais, com razão, resistem a assumir tal projeto, pois sabem que o retorno financeiro demoraria muito tempo – se ocorresse. Em 2006, com a publicação de “Missão do Bibliotecário”, o projeto de termos nas mãos os grandes clássicos começa a se concretizar. O responsável: Briquet de Lemos. Não a editora em si, pois é ela instrumento para a ousada e necessária publicação de importantes textos da área. Mas, o Antônio – que todos nós chamamos de Briquet – que ampliou sua imensa e importante biografia biblioteconômica com a missão – só posso entender como missão – de apoiar o crescimento da área subsidiando-a com textos de qualidade. Tudo isso para dizer que, ao lado de Ortega y Gasset, Briquet publicou Rubens Borba de Moraes (O Bibliófilo Aprendiz; Livros e Bibliotecas no Brasil Colonial), Edson Nery da Fonseca, nosso mestre ainda vivo (Introdução à Biblioteconomia) e, agora, “As cinco Leis da Biblioteconomia”, de Ranganathan.
Era preciso alguém com condições, competência e coragem para essa empreitada".


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Ações de leitura para Biblioteca Escolar

Postado por Carla Façanha On 20:43:00 7 comentários
Vai aqui algumas dicas de como trabalhar com bibliotecas escolares. Pensei em algumas atividades dinâmicas, que envolvesse toda a comunidade escolar: aluno e professores. Confira, e comente acrescentando mais idéias...




 


“Não basta ter uma biblioteca para a formação de uma comunidade leitora. É preciso, sobretudo, um plano de ação que se preocupe com as práticas de incentivo à leitura. Cada biblioteca cria formas de atingir esse objetivo”. E isso é só o começo...









1         Orientação de uso do espaço da biblioteca e do livro (Atividade que contempla todas as turmas a partir do contato com a biblioteca e início das atividades de leitura).

2         Contação de Histórias com aplicações

*     Desenho e pintura;
*     Interpretação de personagens;
*     Identificação com personagens.

3         Trabalhos com colagens e recortes a partir de temas variados

*     Exposição posterior em cartazes pela escola;
*     Mural

4         Projeto Meu Primeiro Livro (As crianças confeccionarão seu próprio livro, desde a sua capa até a sua história, que posteriormente apresentarão à escola a arte de criar e de serem autores).

5         Rodas de Indicação de Leitura (Rodas de conversa onde o aluno/leitor traz o livro que leu na semana/mês para indicar a leitura, compartilhando com o grupo/sala, as razões de sua indicação).

6         Orientação à Pesquisa

7         Ciranda da Leitura (O grupo se reúne para a troca de livros, trabalhando as diversas leituras e interpretações de uma mesma história de forma compartilhada).

8         Dia D da Leitura (Um dia especial onde se enfatiza de forma dinâmica e prazerosa a importância do ato de ler, por meio de brincadeiras, apresentações de trabalhos realizados na biblioteca, bem como resultados de trabalhos de pesquisas em sala de aula).

9         Ações educativas que fomentem a criatividade e talento dos alunos visando atividades com datas comemorativas.

10      Atividades com Jogos Educativos

11      Incentivo a produções escritas com posterior exposição e leitura das mesmas em ocasião a programar (Dia D da leitura, semana da criança etc.).

12      Confecção de marcadores de leitura pelos alunos (Incentivando o gosto pela leitura por meio da arte e imaginação do aluno).

13      Concursos de Leitura

*     Poesia;
*     História de vida;

14      Criação do Mural externo da Biblioteca (Este mural tem o intuito de levar a biblioteca para mais perto dos alunos, de forma a torná-la participante e presente em suas vidas) onde se poderá expor:

*     Dicas de leitura pela biblioteca;
*     Dicas de leitura pelos alunos;
*     Recadinhos de leitura;
*     Promoção de livros;

15      Caixa de Sugestão (Servirá para que os alunos possam contribuir com as atividades da biblioteca sugerindo idéias e sendo assim cooperadores e formadores desse espaço).

16      Cesta Básica de Livros (Essa cesta será passada diretamente nas salas de aulas em um dia determinado da semana para que alunos que ainda se mantém distante do livro e da leitura possam ser movidos e estimulados a ter contato com esse universo).

17      Baú da Leitura (Momento lúdico, onde o aluno é impelido a contar uma história com base em objetos diversificados contidos no baú que são tirados de forma aleatória, trabalhando tanto a sua imaginação como o ato concatenar idéias, esse momento tanto pode ser individual como feito de forma coletiva, onde cada aluno complementa a mesma história.

18      Semana da Criança (Nesta semana serão expostos os trabalhos realizados na Biblioteca, como resultados dos concursos de leitura, exposição dos livros criados etc. e atividades voltadas para a temática, de 06 a 10 de outubro).





A Biblioteca só existe de fato, não em espaço estático, mas em movimento dinâmico se for uma parceira da escola a qual faz parte, envolvida e presente em suas atividades. Ela é uma extensão da sala de aula e deve ser um canal de fomentação da leitura trazendo resultados positivos e reais retornados para dentro da sala de aula bem como para a vida do aluno.

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    Eu sou assim...

    Minha foto
    Fortaleza/ Juazeiro do Norte, Ceará, Brazil
    Professora em Juazeiro do Norte pela UFC Campos Cariri e apaixonada pelas boas coisas da vida: Deus, família, meu esposo, amigos, biblioteconomia... Mestranda em CI pela UFPB com o tema de pesquisa intitulado "Uma proposta de categorização dos ex-votos do Casarão: o museus do Padre Cícero em Juazeiro do Norte". Atuo na área de Recursos e Serviços de Informação. Outros nteresses de pesquisa: memória e representação da informação.