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Ranganathan continua em cena: recensão

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Google volta a defender acordo para digitalização de livros

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O Filme Central do Brasil: um olhar diferente

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A fusão entre o silêncio e o contraste da modernidade

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Reflexões de Milanesi em seu blog

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Mostrando postagens com marcador bibliotecário. Mostrar todas as postagens
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Bisbliotando por aí, encontrei no Bibliotecários sem Fronteiras um post sobre Biblioteconomia 2.0 no Brasil.
Achei bastante relevante a discusão a que se propõe o post. E postei em sua página um comentário e que gostaria de compartilhar com vocês e quem saber propor uma fomentação do assunto em questão, incitando profissionais, professores e estudantes da Biblioteconomia a pensar e repensar sobre o assunto.









Vejo e louvo sua iniciativa em instigar os currículos e o ensino da Biblioteconomia no que tange a WEB 2.0. e observo seu post muito mais como proposta de incitar do que de criticar. Pois concordo com a colega do comentário anterior (Dora) qd coloca em questão: quem ministraria tais disciplinas, ou mesmo se teríamos professores que atingissem a demana. Sabemos as grandes dificuldades do acesso ainda a internet por grande parte da população e tb de nossos estudantes, e isso não é um discurso repetitivo, ou mesmo ultrapassado, quando falo em acesso a internet e principalmente ao acesso as ferramentas da web 2.0, falo em acesso diário, não de uma ou duas horas em uma lan-house, na faculdade...mas acesso em CASA, um acesso incessante e exaustivo. Não acredito em acesso desse tipo. Por exemplo, para se criar um blog ou mesmo atualizá-lo, atualizar o orkut, ou facebook, postar no twitter, pesquisar, estudar, bater papo,preciso muito mais do meras horinhas na net, não acha? Outra questão que gostaria tb aqui de instigar,é que a mudança curricular é um reflexo da insatisfação, seja de alunos, professores, frente das novas tendências e mudanças significativas no ensino da Biblioteconomia, e que muitas vezes essa mudança vem se refletindo em sala de aula,burlando os currículos, mesmo antes que esta mudança venha a ser discutida e aprovada em colegiado, por isso como saber até que ponto as disciplinas de um curso estão se voltando em diálogo com a web 2.0, é ainda difícil de descobrir... outro ponto é que a grande parte de professores de nossas universidades, não são considerados "nativos da web", nossos brinquedos na infancia, não eram notbooks, jogos ou mesmos celulares de ponta... joguinhos de encaixe e montagem, como os famosos quebra- cabeças, jogos que se moviam por intermédio de dados,bonecas e carrinhos, esses sim eram nossas ferramentas de infancia. Esses professores e me incluo nesta grande listagem, tem dificuldades em migrar para um universo estranho, complexo e diferente do que sua mente foi programada para lidar. Por vezes a luta é bastante dolorosa... Para se introduzir tais disciplinas nos cursos, incito tb outras questões referentes ao nossos laboratórios, muitas vezes problemáticos, e isso tb implicaria em uma mudança radical, pois primeiramente não se concebe um curso de Biblio sem um laboratório de informática próprio, e não de aceita uma universidade ficar com problemas no laborátório, uma, duas, e até três semanas em manutenção, como ficariam então essas disciplinas? É preciso uma visão que se estenda além dos muros da Biblioteconomia.Porém vejo com otimismo as mudanças que se aproximam, novas gerações e "nativos" estão se voltando para a questão do ensino, e em paceria com professores que sem temor se propoem em migrar visualizo com bons olhos o presente que se transforma!
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Pânico na Biblioteca por Eoin Colfer

Postado por Carla Façanha On 20:12:00 1 comentários



 Você já viu, ouviu ou viveu esse tipo de experiência? Postei aqui alguns trechos desse livro, aproveite, baixe o livro e leia na íntegra. É um livro infantil e possui apenas 26 páginas. Confira aqui!


"...Havia uma varanda do lado de fora da biblioteca. As paredes eram cobertas de cartazes sobre coisas como grupos de leitura e concursos de arte. Tudo muito educativo. Olhamos as figuras nos cartazes, de qualquer maneira. Qualquer coisa para adiar a entrada na biblioteca e ter que encarar dona Batata. Ficamos ali até mamãe subir a escada e bater no vidro.
Não tínhamos alternativa a não ser entrar. Era exatamente o que eu temia. Não havia nada lá a não ser livros. Livros só esperando para pular das prateleiras e me fazer de bobo. Eles pareciam me observar de seus poleiros. Eu os imaginei se cutucando.
“Olha”, diziam eles. “Mais duas crianças se divertindo muito. Vamos logo dar um fim nisso.”
A biblioteca parecia continuar para sempre. Filas e mais filas de estantes de madeira, lotadas do chão ao teto. Cada fila tinha uma escada com rodinhas nas pontas. Aquelas escadas teriam dado ótimas aventuras, mas a chance de uma criança poder se divertir de verdade ali era zero.
— O que vocês querem? — disse uma voz vinda do outro lado da biblioteca.
Meu coração se acelerou ao som daquela voz. Era como dois pedaços de metal enferrujado sendo esfregados um no outro. Prendi a respiração e olhei para a sala enorme. Uma velha estava inclinada sobre uma mesa enorme de madeira, as juntas maiores que umas bolas. O cabelo grisalho estava preso tão apertado que as sobrancelhas foram para o meio da testa. Ela parecia ao mesmo tempo surpresa e irritada. Era dona Batata, sem dúvida nenhuma.
— Eu disse, o que vocês querem? — repetiu ela, batendo na mesa com um carimbo.
Fomos até a mesa dela agarrados um no outro como dois macacos assustados. Havia uma caixa cheia de carimbos na mesa, e mais dois pendurados em seu cinto como revólveres.
Dona Batata olhou para baixo de uma altura enorme. Ela era grandona. Mais alta do que o meu pai, e mais larga do que a mamãe e minhas duas tias amarradas juntas. Os braços eram magros como de um robô e os olhos pareciam dois besouros pretos por trás dos óculos.
— A mamãe disse que temos que nos inscrever na biblioteca — eu disse.
Uma frase completa. Nada mau, nestas circunstâncias.
— Era só o que me faltava — rosnou dona Batata. — Mais dois diabinhos bagunçando minhas estantes. — Ela pegou uma caneta e dois cartões na gaveta.
— Nome?
— D-d-dona Ângela — gaguejei. Dona Batata suspirou.
— O meu nome não, palerma. O nome de vocês.
— Eduardo e Marcos Medeiros! — gritei, como um cadete do exército.
Tínhamos entregado nossos nomes e o endereço foi o seguinte. Fiquei meio preocupado com isso. Agora dona Batata sabia onde morávamos e podia nos rastrear se esquecêssemos de devolver um livro.
A bibliotecária preencheu os cartões, carimbando-os depois com o timbre da biblioteca.
— Cartões rosa — disse ela, entregando-os a nós. — Rosa significa infantil. Rosa significa que vocês ficam na seção infantil da biblioteca.
Marquinhos percebeu que os banheiros ficavam na seção dos adultos.
— E se a gente tiver que... ir.
Dona Batata atirou o carimbo de volta na caixa, batendo a tampa.
— Pense nisso antes — disse ela. — Vá antes de chegar aqui.
Dona Batata nos levou por longos corredores de tábua corrida para a seção infantil. Usava umas pantufas felpudas que poliam as tábuas enquanto ela deslizava.
— Esta — disse ela, apontando com um dedo calombento — é a seção das crianças.
A seção era na verdade uma única estante com quatro filas de livros. No chão, diante dela, havia um pequeno pedaço de tapete puído.
— Só tirem os pés do tapete para ir embora — alertou ela. — Qualquer idéia infantil que entre na cabeça de vocês, ignorem. Fiquem no tapete, ou haverá encrenca. — Ela se curvou até quase se dobrar, fazendo com que os seus olhos de besouro ficassem no mesmo nível dos meus. — Está claro?
Concordei com a cabeça. Estava claro. Sem dúvida nenhuma..." 

___________________________________________________


"...Então um dia aconteceu uma coisa estranha. Eu estava fingindo ler um livro chamado Finn McCool, o gigante da Irlanda, quando alguma coisa me pegou. Era a primeira frase da história.
Finn McCool, dizia, era o maior gigante da Irlanda.
Havia alguma coisa naquela frase. Era... interessante. Decidi ler um pouco mais. Eu não ia ler o livro todo, de jeito nenhum. Mas talvez só mais algumas frases.
Finn tinha um problema, dizia o livro. Angus MacTavish, o maior gigante da Escócia, queria brigar com ele.
Bom, agora eu não conseguia parar. Dois gigantes brigando! Talvez eu tivesse entendido como isso ia acabar. E aí li até o fim da página e continuei lendo direto. Antes que me desse conta, eu estava perdido na história de Finn McCool e Angus MacTavish. Tinha aventura, magia, batalhas e planos espertos. Montanhas explodiam e magos viravam duendes. Cabras mágicas falavam e princesas se transformavam em cisnes. Era outro mundo.
— Pronto para ir? — disse uma voz.
Olhei para cima. Era a mamãe.
— O que está fazendo aqui? — perguntei.
Havia sacolas de compras nas mãos da mamãe.
— O que acha que estou fazendo aqui? Está na hora de ir.
Abracei o livro no meu peito.
— Mas a gente acabou de chegar. São só...
Parei de falar quando vi o relógio da parede. Eram cinco da tarde. Eu estava lendo um livro há quase duas horas. Olhei para Marquinhos. Ele ainda estava lendo! Um livro com uma imagem de um dragão na capa. O que estava acontecendo aqui?
— Agora vamos, seu pai vai ficar esperando.
Para meu completo assombro, eu percebi que não queria deixar meu livro para trás. E Marquinhos também não..."
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Com as características únicas e diferentes de cada comunidade faz-se necessário um profissional bibliotecário seletivo, dinâmico, criativo e participativo, alguém capacitado, não somente para “guardar livros”, como a sociedade o percebe, mas em organizá-los e entendê-los, comunicando seu conteúdo de forma diversificada, relacionada com a melhor maneira de transmitir esse conteúdo a seus usuários. È preciso ter em mente que


o Bibliotecário não é um guardador de livros. Nós não estamos nas bibliotecas para ‘tomar conta’ dos livros (expressão que me paralisa). Paradoxalmente, estamos nas bibliotecas para garantir a circulação de livros e o enriquecimento coordenado das coleções constitui o cerne da questão. Por mais que doa, bibliotecário pode ser qualquer um desde que possua o entendimento de que aqueles livros, muito embora patrimônio coletivo, não são os seus livros; de que mais vale usar e gastar aqueles livros do que impedir que os mesmos sejam tocados (i.e. profanados); de que aqueles, para serem utilizados, implicam uma organização; e de que os livros têm função social e cultural de valor inestimável, residindo o seu interesse única e exclusivamente no uso que lhes possa ser dado (CABRAL, 1996, p. 42).



No Brasil, até pouco tempo atrás o discurso do bibliotecário se voltava para a valorização da técnica acima de tudo e qualquer coisa; rejeitavam o papel social e a função educativa, a sociedade por sua vez desconhecia esse profissional que se mantinha enclausurado nas “masmorras” das bibliotecas em sua técnica passiva, cada vez mais distante do contato com uma sociedade que clamava informação e por um profissional presente às suas necessidades de leitura, de discursões, pesquisa e estudo. Essa sociedade não só desconhecia o bibliotecário, mas ignorava a biblioteca por vê-la distante de sua realidade, pois aquele que poderia “quebrar o silêncio” e guiá-la desmistificando a biblioteca de “templo sagrado” a um lugar de construção e aprendizado; um lugar atraente e receptivo, ainda se mantinha atrás dos muros do castelo. Aos poucos e com muito sofrimento, pois era preciso quebrar paradigmas e romper com o tradicionalismo, este profissional vem atuado para modificar o seu perfil aliando sua prática profissional ao relacionamento com a realidade social, política e econômica, na comunidade em que se insere, utilizando o seu objeto de trabalho, a informação, e a socialização desta para democratizar a sua inserção no seio desta comunidade. Corroborando, Cysne (1993) nos diz que


deve ser desenvolvida uma prática cujo objetivo maior seja a difusão do saber produzido e sistematizado, de modo a garantir à população o acesso aos conhecimentos necessários á solução dos problemas do seu dia-a-dia, à elevação de seu nível cultural, de modo que possa o bibliotecário participar mais ativamente das decisões sociais, buscando-se resgatar o conceito e a prática da cidadania. Convém relevar que tal prática tem em conta a informação como um dos bens sociais que pode contribuir e até provocar, em meio a outros grupos sociais, a transformação da sociedade. (CYSNE, 1993, p. 21).


Tendo em vista o clamor da sociedade e o poder de sua atuação o bibliotecário tem feito mudanças no seu perfil e, procura aliar ao seu trabalho, a dimensão social e educativa. Com esta atitude busca derrubar antigos estereótipos de “guardião de papéis empoeirados e fichas amarelas e sentado atrás de um balcão sempre de mau humor, ao lado do famoso cafezinho e com uma palavra sempre a ajudar: Psiu!”. Atualmente, o bibliotecário sofre uma transformação essencial ao desenvolvimento da profissão e da própria sociedade. De acordo com Castro


a mudança da imagem do bibliotecário humanista, conservador, imperfeito para progressista e moderno dava-se à medida que este não se preocupava somente em adquirir livros e pô-los em ordem, mas o seu interesse maior era que todos os materiais existentes na biblioteca fossem lidos e consultados. (CASTRO. 2000, p.121).


Com a preocupação do bibliotecário em não somente disponibilizar a informação, mas se incomodar se esta estar sendo bem aproveitada por sua comunidade, refletindo e avaliando sua forma de trabalho, seu grau de atuação em contribuir para um melhor desenvolvimento dessa informação diante da necessidade de seus usuários, é percebido um profissional capaz de enxergar além das aparências ou de um “balcão de empréstimo”, cujo olhar se volta para um educador e não somente um repassador de informações. Esse perfil caricato do bibliotecário, de apenas um repassador de informações trouxe uma marca negativa na imagem desse profissional, prejudicando o desenvolvimento da profissão e consequentemente a sua aceitação diante de outros profissionais e da sociedade. Porém esse profissional se vê diante de uma mudança urgente, necessária a responder o rápido desenvolvimento e proliferação da informação onde se faz imprescindível a sua presença e atuação, apreendida nos anos acadêmicos e práticas profissionais. Um profissional capaz de entender as características e os anseios da comunidade a qual serve, modelando sua prática e atuação visando a melhor apreensão, aprendizado e relação da informação a ser transmitida e partilhada.

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Além da forma

Postado por Carla Façanha On 21:42:00 1 comentários
Falamos em fontes informacionais, serviços de informação, teorias, conceitos, gestão informacional, catalogação, indexação, tecnologias, web 2.0, ambientes tradicionais x modernos...porém preciso despertar para uma reflexão, mudança, transformação. Mudanças significativas, responsáveis e sensatas, não mudanças de maneira superficial em prol de uma rápida colocação no mercado de trabalho. Clama-se para uma transformação que vise um profissional com um olhar crítico e de conhecimento profundo de sua arte, o fazer biblioteconômico. Entender que ser um profissional da informação vai muito além dos moldes que se estuda nas universidades, ou mesmos de técnicas praticadas de forma estática.
É preciso ir alé da forma, isso é que faz a diferença. Como profissionais, estudandes de uma arte em eterno devir, recebemos os mesmos conteúdos nos bancos das universidades, partilhamos grades curriculares niveladas e professores capacitados... mas se ficarmos só nisso, no que foi, corremos o sério risco de desaparecermos, pois criatividade, dinamismo, preocupação com o social, comprometimento, maleabilidade...Ah! Isso não se aprende somente sentados, com nossas bundas formosas conhecidas internacionalmente, mergulhados em livros, textos, periódicos. Conquistamos nossa arte de fazer a informação dançar no salão da vida, a medida em que refletimos, questionamos, participamos,  adquirimos capacidades de sermos melhores que somos em uma busca constante.
Ser bibliotecário não é só discursar teorias a sai pelos "poros", fantástico isso! mas se não adaptarmos, se não praticarmos as interconecções dessas teorias de forma a contribuir para uma "dança" harmoniosa, criando pontes e indicando caminhos, fazendo fluir a informação e seus desenlaçes, contribuindo por meio da arte de se fazer indispensável para o desenvolvimento da ciência e do conhecimento, se não for assim, me deletem, por favor.
O que há de diferente em você além da forma?
Buscar ser melhores do que somos, isso faz a diferença!
Carla Façanha
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Estereótipo dos Bibliotecários

Postado por Carla Façanha On 01:54:00 0 comentários
Bisbliotando pelo slideshera, resgatei esta apresentação elaborada por Moreno Barros...por sinal bastante interessante e inteligente.
Apesar de já ver uma mudança na quebra deste esteriótipo, ainda percebo essa visão aplicada ao profissional bibliotecário,talvez não mais "a velhinha de óculos" mas um profissional ainda passivo e distantes de mudança frente as novas concepções de interação hoje percebidas e clamadas pelos usuários. Mudar sempre é preciso...


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Reflexões de Milanesi em seu blog

Postado por Carla Façanha On 18:34:00 0 comentários
"...o aluno de biblioteconomia aprende a ser diferente na sala de aula ou antes de optar pela biblioteconomia já era diferente? Em outras palavras: a questão é de ambiente escolar ou de personalidade?[...]Não sei o motivo, mas[...]quando eu ministrava uma disciplina para todas as áreas, além da Biblioteconomia: Jornalismo, Artes Cênicas, Relações Públicas, Cinema, etc. Os alunos de Biblioteconomia sentavam-se juntos e, pelas características, eu denominava o grupo de "a minha ilha do silêncio". O fenômeno repetia-se ano a ano. E de tal forma que eu cheguei a uma conclusão: não era a Biblioteconomia que moldava a cabeça dos alunos, mas as cabeças já moldadas é que escolhiam a Biblioteconomia. Curiosamente, os jovens que que queriam ser jornalistas eram bem diferenciados dos alunos que desejavam ser bibliotecários, ainda que ambos escolhessem, de forma variada, trabalhar com informação. Na realidade, os alunos da Biblioteconomia optavam por UMA imagem da profissão (a rotina silenciosa, o convívio com os livros, a visibilidade social limitada...) e não pelo perfil real de um agente/gestor/ator da informação. Será que o perfil dos nossos alunos mudou?..."

"Depois de cinco séculos de acervos de impressos a entidade 'biblioteca' e os seus trabalhadores, os "bibliotecários", observam que as suas tarefas tradicionais não são mais imprescindíveis. Com os textos digitalizados, tanto os do passado quanto os do presente, e com instrumentos de busca cada vez mais refinados não sobra espaço para as estantes e as brochuras. Cria-se, paralelamente, uma prática nova, comandada pela tecnologia que, na prática, dispensa os impressos. E a tal ponto que em algum momento do futuro não haverá mais as bibliotecas como conhecemos hoje. Toda essa mudança, ao que tudo indica, não foi comandada pelos "profissionais da informação" - como se auto-denominam os bibliotecários. Há uma nova categoria, multifacetada, de profissionais que leva adiante essa mudança. Progressivamente, essas transformações tornam obsoleta a figura do bibliotecário como intermediador. Que papel está reservado a ele? Que desempenho terá?"


"Não há nenhuma certeza, mas calcula-se que hoje no Brasil existam cerca de 70.000 lan houses. E menos de 5.000 bibliotecas públicas. Quanto às escolares muito pouco se sabe. Um detalhe: a lan house é porta para outra biblioteca: imensa, todo o conteúdo da internet com imagem, cor, som, vídeo... Já as bibliotecas variam muito, mas como nós sabemos a maioria forma uma paisagem desoladora. Então vemos um belo nó: nem chegamos à biblioteca desejável e já temos alternativa irresistível para as crianças e os jovens. Desconheço pesquisa sobre as lan houses e, principalmente, sobre o que os freqüentadores vão fazer lá. Mas por notícias vagas e dispersas parte da clientela vai mesmo fazer pesquisa escolar. Como disse em mensagem anterior, nas duas últimas décadas o estudo das bibliotecas públicas e escolares despencou – como se a importância delas também tivesse caído. Se existissem estudos sobre o assunto provavelmente seria constatado que as lan houses explodiram e as bibliotecas implodiram, aquelas, progressivamente, substituindo estas. É espantoso, mas captei parte dessas informações na... TV Globo, Regina Casé. Acho que estamos perdendo o bonde da história.
Há um campo mais próximo de nós e, pelo que me consta, também pouco estudado pelo ângulo do uso e do público: os serviços que, antes, eram denominados “bibliotecas especializadas”. Também não tenho certeza, mas pelo meu periscópio percebo que ano a ano está caindo o número de usuários desses serviços. Parte substancial dos pesquisadores não utiliza mais os periódicos impressos, pois encontra o que deseja nos computadores domésticos ou do escritório conectados à internet. Um pesquisador cresce em seu conhecimento específico com a capacidade de se abastecer de informações. Ele, sem esforço, sabe o que precisa ler para se atualizar. Um especialista em célula-tronco, por exemplo, não precisa de um intermediário para lhe dizer o que deve ler: ele está permanentemente conectado a outros pesquisadores numa rede que envolve o planeta e que faz a emissão e a recepção serem quase simultâneas.
Depois dessas visões das duas pontas do arco da pesquisa resta a pergunta: numa perspectiva de futuro qual será a nossa identidade profissional? "


Faço minhas as indagações de Milanesi: o que estamos fazendo da nossa indentidade profissional. O problema da questão pode está em nós. Precisamos modificar este esteriótipo do profissional neutro, do profissional do silêncio, da passividade... precisamos encantar pessoas com as novas possibilidades do agir bibliotecário.
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    Eu sou assim...

    Minha foto
    Fortaleza/ Juazeiro do Norte, Ceará, Brazil
    Professora em Juazeiro do Norte pela UFC Campos Cariri e apaixonada pelas boas coisas da vida: Deus, família, meu esposo, amigos, biblioteconomia... Mestranda em CI pela UFPB com o tema de pesquisa intitulado "Uma proposta de categorização dos ex-votos do Casarão: o museus do Padre Cícero em Juazeiro do Norte". Atuo na área de Recursos e Serviços de Informação. Outros nteresses de pesquisa: memória e representação da informação.
    IBSN: Internet Blog Serial Number 24-01-2008-25